Você ama aquela petulante.
Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu.
Você deu flores que ela deixou a seco.
Você a levou para conhecer sua mãe e ela foi de blusa transparente.
Você gosta de metal e ela de pagode.
Você ama show de metal e ela tem alergia a isso.
Você abomina o Natal e ela adora.
Nem no ódio vocês combinam.
Então?
Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado.
O beijo dela é mais viciante que LSD.
Você não gosta brigar com ela e ela ama implicar com você.
Isso tem nome. Você a ama.
Ela diz que vai ligar e não liga.
Ela veste o primeiro trapo que encontra no armário.
Ela não emplaca uma semana nos empregos.
Está sempre dura. E é meio maria gasolina.
Ela não tem a menor vocação para princesa encantada,
e ainda assim você não consegue despachá-la.
Então?
Então que quando a mão dela toca sua nuca você derrete feito manteiga.
Então que quando ouve sua voz a única coisa que você quer
é correr para seus braços e enchê-la de beijos da cabeça aos pés.
Porquê você ama essa mulher?
Não pergunte para mim.
Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais, gosta de filmes,
e é independente, tem emprego, saldo no banco.
Gosta de viajar, de música, tem loucura por computadores.
Você é bem humorado, não pega no pé de ninguém e adora sexo.
Com um currículo desses, criatura, porque está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento,
mas uma equação matemática:
Eu lindo + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Ninguém ama alguém pelas qualidades que ela tem,
caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam
uma fila de pretendentes batendo à porta.
O amor não é chegado a fazer contas, nem obedece a uma lógica.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por um magnetismo entre as duas pessoas.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã de Caetano. Isso são
apenas referências.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que a outra pessoa lhe dá, ou pelo tormento que ela
provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando
menos se espera.
Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Talvez por isso às vezes nós não conseguimos nos entregar ao amor e muito menos entendê-lo.
E ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é...
quarta-feira, 5 de março de 2008
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